Em Encontro Nacional da Rede Pikler Brasil, Zsuzsanna Libertiny, pedagoga na escola infantil Emmi Pikler e formadora no Instituto Pikler, trouxe observações e ferramentas práticas de serem incorporadas à rotina dos cuidadores, e que contribuem para o desenvolvimento saudável das crianças: “Estou convencida de que se trata de uma abordagem do senso comum, pois se buscou em práticas do dia a dia, por isso é aplicável em qualquer lugar.”.

Vamos a elas:

1) Dê um passo para trás e veja melhor

Toda criança é diferente e não é fácil de entendê-la. Mas, para isso, é preciso respeitar seu tempo e ritmo e – sobretudo – observar. Não por acaso o primeiro livro escrito por Emmi Pikler tem como título “O que o vosso bebê consegue fazer?”. O bom cuidado é ver o que a criança sugere e atuar a partir dali: se acha um chapéu interessante, o adulto atende à sua necessidade oferecendo o que ela quer saber sobre aquilo que apresentou.

2) Oportunidade dela se expressar

É muito importante que, desde cedo, o adulto atente às linguagens, aquilo que a criança diz (ainda que não verbalmente) sobre seus sentimentos e, eventualmente, também partilhe os seus, a fim de estabelecer uma conexão. Esse laço é firmado quando os pequenos expressam frustração, tristeza, raiva, alegria de forma genuína. Isso dará segurança para desenvolverem habilidades que lhes auxiliem a lidar com os desafios da vida.

3) Vínculo

A maior preocupação, hoje em dia, é o conhecimento adquirido e não o relacionamento (que é a base da Abordagem Pikler). Mas se a criança tem segurança interna, constituída a partir do vínculo, ela irá selecionar (a partir do que ouve e experimenta) os conteúdos de que precisa. São esponjinhas de conhecimento!

4) Segredinhos

Alguns “segredos” entre as crianças e as cuidadoras (hábitos estabelecidos na creche, por exemplo), selam a confiança criada entre elas.

Em Lóczy, os travesseiros são quentinhos e um menino o associou a um forno de pizza. Todas as vezes em que a cuidadora o acompanha no momento do sono, antes, eles comem uma pizza. Ela é parceira na brincadeira e, tendo a sua ideia reconhecida como importante, será natural que ele a procure para partilhar outras coisas.

5) A brincadeira

Às vezes, a brincadeira não é a brincadeira em si, mas sim a interação. Observar o outro fazer, esperar o seu tempo, ir em seguida e ser observado, como cooperamos nessa brincadeira… O processo é o mais importante e não o resultado: Num primeiro momento, o escorregador é interessante. Depois, a interação entre as crianças (ver o outro descer e ir em seguida), passa a ser mais do que o próprio brinquedo. Dê espaço para que essa troca aconteça!

Quer saber mais sobre a Abordagem Pikler? Livros em português:

Abordagem Pikler – educação infantil

A abordagem Pikler para crianças de 0 a 3 anos foi desenvolvida pela médica húngara Emmi Pikler que somou a sua experiência de dez anos como médica de família ao trabalho realizado na instituição de acolhimento situada na Rua Lóczy em Budapeste e a observação e o registro minucioso do desenvolvimento de bebês para desenvolver um trabalho profissional de excelente qualidade. Esta abordagem está embasada no cuidado com a saúde física e no respeito com a individualidade de cada criança e tem como princípios fundamentais a relação privilegiada entre mãe/educadora e bebê e o desenvolvimento da autonomia através do brincar livre.
Divulgar a Abordagem Pikler que surgiu como uma prática pedagógica, logo após a II Guerra Mundial (1946), em uma instituição de acolhimento como uma resposta positiva à adversidade é provocar discussões e reflexões sobre as possíveis adaptações dessa abordagem à complexa realidade da educação infantil brasileira. É esse o objetivo desta publicação. Boa leitura!

As origens do brincar livre

É por meio do brincar que a criança experimenta o mundo e se desenvolve, por isso ele é tão vital quanto respirar. Neste livro, especialistas na Abordagem Pikler apresentam os principais conceitos para o desenvolvimento integral das crianças: estabelecimento de vínculo, respeito ao movimento livre e autonomia, com foco no brincar. Para isso, sugerem práticas que favoreçam as habilidades inatas dos bebês, como o preparo de um ambiente para a exploração, a seleção e organização dos brinquedos para cada fase e dão dicas sobre a postura do adulto, junto da criança, enquanto a brincadeira acontece.
Quem fez a tradução técnica e respondeu pela publicação do livro foi o Grupo Educar 0 a 3, situado em São Paulo e que tem por objetivo desenvolver consciência quanto ao significado e importância da infância junto a famílias e escolas, “As origens do brincar livre” é um dos poucos títulos em português que traz os conceitos e aplicações da Abordagem Pikler no cuidado de crianças na primeiríssima infância.

vínculo, movimento e autonomia 

A partir de suas vivência com Formação Continuada de Profissionais de Educação Infantil e de seu envolvimento com a Abordagem Pikler, a autora compartilha com o leitor reflexões sobre o papel do educador de crianças pequenas e os pontos essenciais para promover o desenvolvimento físico, mental e emocional nos primeiros anos de vida, principalmente em ambiente coletivo.
O livro apresenta uma síntese da abordagem que Emmi Pikler construiu durante o período em que atuou como médica de família e diretora de um abrigo de crianças até 3 anos, no final da Segunda Guerra Mundial, em Budapeste. Essa pedagogia baseia-se no reconhecimento do bebê como um indivíduo capaz desde o nascimento, na valorização do vínculo afetivo, na liberdade de movimentos e no desenvolvimento da autonomia.
Neste título estão também presentes: reflexões sobre a consciência corporal do educador, com base na Eutonia – pedagogia terapêutica com aplicação nas áreas da educação, saúde e artes, que auxilia a reintegração da imagem corporal; ideias do filósofo e educador Rudolf Steiner a respeito da importância do movimento, do equilíbrio, do tato e do sentido vital na primeiríssima infância; e experiências de atividades não dirigidas desenvolvidas pela autora em seu espaço de pesquisa, formação e oficinas: o Ateliê Arte, Educação e Movimento.

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