Considerada uma das maiores festividades da Índia, Diwali celebra – principalmente – a vitória do bem sobre o mal. O ápice do evento religioso comemorado por hindus, budistas e jainistas, acontece na noite mais escura do outono, quando a lua nova surge marcando a transição da minguante para a crescente: “a passagem das trevas à luz”.

lamparina

Tradicionalmente, pequenas lâmpadas de argila com óleo são acesas, fazendo menção ao famoso episódio do Ramayana (importante escritura sagrada hindu) em que Rama, rei de Ayodhya, resgata sua esposa Sita das mãos de Ravana (representação do mal) e o derrota, com a ajuda de Hanuman (Deus-Macaco), em uma ardilosa batalha na floresta. De volta ao reino, eles são recebidos com entusiasmo pelo povo, que havia formado um caminho de lamparinas, enfileiradas, no chão. Simbolicamente: Rama significa Deus, Sita significa a alma e Hanuman significa a Devoção. Ou seja, através da Devoção (Hanuman), a Alma (Sita) pode novamente se unir a Deus (Rama). *Mais detalhes sobre essa história no item Rei Rama, logo abaixo.

direito

A festa também celebra a prosperidade. Em áreas rurais do país, o evento é conhecido por “Festival das Colheitas”, onde se agradece a fartura das safras. Como se trata de um dos períodos mais nobres do ano, é comum que as pessoas o recebam com roupas, utensílios, movéis e até carros novos. Ceias fartas, sobretudo recheadas de doces, também colorem as ruas e praças públicas, já que a partilha é uma das formas de se “iluminar interiormente”.

Rei Rama

O Ramayana, uma das escrituras fundamentais do Oriente, narra a história de Rama – a sétima encarnação de Vishnu, que – na trindade hindu: Brahma, Vishnu e Shiva – representa a conservação. De acordo com esta religião, os grandes avatares que estiveram sobre a Terra são reencarnações da manifestação divina Vishnu.

Do ponto de vista histórico, o Ramayana relata o desenvolvimento e a conquista de territórios por parte do povo ariano. Do ponto de vista mítico, é uma narrativa de heroísmo, fraternidade e matrimônio devotado, como veremos a seguir.

Fragmento extraído do “O Livro das Imagens Hindus”, de Eva Rudy Jansen:

“Vishnu decidiu descer à Terra para matar o rei dos demônios, Ravana. Como Rama, filho do rei Dasharatha, ele recebeu em casamento a mão de Sita, a filha adotiva do rei Janaka. Dasharatha queria que Rama fosse o regente mas uma de suas esposas lembrou-o de que ele havia prometido a coroa ao filho dela.  Rama foi banido do reino e fugiu para a floresta com Sita e seu meio-irmão Lakshmana. Um dia, Sita foi raptada pelo rei dos demônios. Rama e Lakshmana saíram ao seu encalço e, no percurso, ajudaram o rei dos macacos, Sugriva, a vencer um oponente, tendo sido recompensados com um exército de macacos liderados por Hanuman. Quando este último logrou encontrar Sita na ilha de Lanka (atual Sri Lanka), os macacos construíram uma ponte do continente para a ilha e travou-se, então, uma terrível batalha entre Rama e o exército dos demônios, vencida por Rama que levou sua mulher de volta para casa.

Entretanto, antes de retomar Sita em seus braços, Rama quis testar a lealdade da esposa. Acusou-a de lhe ter sido infiel durante o período de cativeiro. Sita sentiu-se profundamente ferida e atirou-se ao fogo para provar sua inocência. Mas Agni, o rei do fogo, não lhe causou nenhum mal e Rama, diante do resultado da prova, acreditou finalmente na fidelidade da mulher.

O elemento fogo no Diwali

O dever (dharma) deste elemento é o mesmo onde quer que esteja: dar luz e calor (conhecimento e acolhimento). A chama sempre aponta para cima e a mensagem que carrega é a de que se deve buscar – a todo momento – compreender a natureza divina, centelha luminosa, que habita todo ser: Muito embora cada lamparina acesa seja uma, a luz que todas elas oferecem é a mesma que permite ao sol ou às estrelas brilharem – porque provêm do mesmo Ser.

Os cinco dias de Diwali

1º dia: As pessoas se põem a limpar suas casas e lojas, a decorar soleiras e pátios com objetos multi-coloridos. Compram ornamentos de ouro, vasos, roupas e outros itens. Os devotos acordam cedo, antes do Sol nascer, e tomam banho de óleo. Se possível, vestem roupas novas. À noite, reverenciam moedas representando a riqueza. As famílias decoram casas e pátios com lampiões dando um brilho aquecedor à noite. Este dia de celebração é chamado Dhantrayodashi ou Dhanteras.

2º dia: O segundo dia é chamado Naraka Chaturdashi. As pessoas tomam um banho de óleo na primeira manhã e, à noite, acendem lâmpadas e soltam fogos de artifício. Costumam visitar parentes e amigos e oferecem-lhes doces.

3º dia: Neste dia, costuma-se decorar as casas com lamparinas e velas para receber Lakshmi, a deusa da riqueza. Os homens de negócios fecham contas antigas e abrem novas. O céu é tingido pelas luzes multicoloridas dos fogos de artifício.

4º dia: No norte da Índia, acontece o Govardhana Puja: Os devotos de lá constroem montes feitos de estrume de vaca, simbolizando Govardhana – a montanha que Krishna levantou com o seu dedo para proteger os aldeãos de Vrindavan da chuva. Dá-se, a este dia, o nome de Annakoot.

diwali

5º dia: O quinto dia do festival se chama Bhaiyya Dooj. Cada homem janta na casa da irmã e, em troca, oferece presentes. Milhares de irmãos e irmãs se dão as mãos e tomam um banho sagrado no rio Yamuna.

Aproveitemos a data auspiciosa para celebrar o Diwali em nossos corações promovendo uma faxina de maus pensamentos e ações e permitindo que a luz de Deus brilhe radiante!

Namastê!

 

ASATO MA é o principal mantra cantado durante a festividade. Abaixo, uma versão com o mestre indiano Sai Baba:

 

 

o-mahabharataVocê gostou de saber um pouco sobre as tradições indianas? Este livro, O Mahabharata, é um dos clássicos mais consagrados do país asiático. Vale a pena para se aprofundar na temática hinduísta. Sinopse:

“O Mahabharata, o mais extenso poema épico da História, escrito em sânscrito cerca de 2.500 anos atrás, conta a história de uma guerra de poder, travada na Índia, entre dois clãs: os Pandava e os Kaurava, que culmina numa aterradora batalha apocalíptica. A mais famosa passagem desta obra é o famoso Bhagavad Gita, lido como uma obra religiosa à parte. O texto apresentado nesta edição não é uma simples tradução. William Buck leu todos os onze volumes e mais de cinco mil páginas da tradução inglesa integral do Mahabharata. Antes de terminar a leitura, já tinha decidido se dedicar à árdua tarefa de condensá-lo, tornando-o acessível e atraente ao leitor contemporâneo. Ele conseguiu captar a combinação de espírito religioso e guerreiro que permeia todo o épico no original.”

Acesse: http://www.omnisciencia.com.br/o-mahabharata/p

 

Fontes:

http://www.ammabrasil.org/festivais/Diwali.htm

http://meetaravindra.blogspot.com.br/2011/01/diwali.html

O Livro das Imagens Hindus”, de Eva Rudy Jansen


Via: http://www.culturadapaz.com.br/diwali-o-festival-das-luzes/