*Trecho extraído do livro “Francisco, o herói da simplicidade”

Na cidade de Gúbio, na Itália, existia um lobo muito feroz. Estava sempre à espreita de algum cordeiro, uma galinha ou algum outro animalzinho para matar, chegando até mesmo a atacar as pessoas. Todos andavam apavorados com esse lobo e estavam com medo de sair para além dos muros desta cidade. Um dia, Francisco de Assis foi visitar Gúbio e, ao chegar à cidade, soube desses acontecimentos. Com sua forma calma e amorosa de ser, disse aos moradores que iria conversar com o lobo. Sabendo dos muitos milagres que Irmão Francisco realizava, ficaram todos muito esperançosos, pois ele tinha o hábito de conversar com os animais. E lá foi ele, sozinho, à procura do lobo.

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Você acha que ele sentia medo enquanto caminhava ao encontro do lobo? Acha que  ele estava preocupado ou inseguro? Não. Com o terço na mão, rezando e conversando com seu amigo Jesus, ele caminhava feliz e tranquilo. E eis que surgiu o lobo, rosnando e salivando, com os pelos arrepiados, e uma expressão de causar medo a qualquer um,  menos a Francisco. Calmamente, ele começou a falar com o lobo: – Querido Irmão Lobo, podemos conversar? O lobo respondeu com uns grunhidos que pareciam dizer: – Sobre o que quer falar? Saiba que sou raivoso e não tenho paciência. Posso atacá-lo na hora que quiser. – Sei disso tudo, Irmão Lobo, mas vim em missão de paz, com uma proposta do povo de Gúbio – respondeu Francisco. – Pois diga logo, que minha paciência está se esgotando – parecia dizer o segundo rosnado, ainda mais alto para intimidá-lo. Francisco sentia muito amor pelos animais e isso o protegia de todas as possíveis ameaças ou perigos. Por isso, ele realmente não se impressionou com as maneiras pouco lisonjeiras do lobo. – Então, querido Irmão Lobo, se o povo de Gúbio o alimentasse todos os dias, você pararia de matar tantos animais e de assustar os homens? – perguntou Francisco.

ilu24O lobo parecia mais calmo com aquela proposta e rosnou bem baixinho. Irmão Francisco continuou a falar com sua voz serena e doce. – Irmão Lobo, as pessoas dessa cidade querem te convidar para receber o alimento de suas próprias mãos. O lobo o olhava atentamente, parecendo estar sentindo confiança naquele homem magro, que emanava um amor profundo pelos seus irmãos animais. Irmão Francisco, então, finalizou: – Vamos, aceite essa proposta. Sei que tem motivos para desconfiar dos homens, porque a maioria deles o trata mal, como se se sentissem superiores. Mas você pode ajudá-los a respeitarem os lobos e todos os animais. E, pelo poder daquele homem santo, o lobo conseguiu compreender suas palavras, abaixou a cabeça como se estivesse dizendo sim e lambeu os pés de Francisco, em sinal de amizade. Os dois voltaram para a cidade e, nos olhos do lobo, via-se apenas uma grande doçura. Em uma cena inesquecível, em frente a todas as pessoas ainda assustadas da cidade, o lobo ergueu a pata juntando-a nas mãos de Francisco, selando, dessa forma, o pacto de convivência pacífica. O povo gritou de entusiasmo e alegria. Francisco finalizou: – Amado povo de Gúbio, peço que vocês mantenham a palavra de alimentar este lobo e tratá-lo como irmão. Todo o povo de Gúbio concordou emocionado. Assim, durante muitos anos, os moradores de Gúbio alimentaram o lobo. O povo cumpriu sua promessa e o lobo também aprendeu a esperar pacientemente pelo seu alimento na porta da cidade.

Quando o lobo morreu de velhice, foi um grande pesar para toda a cidade, pois, para o povo de Gúbio, o amor divino de Francisco estava refletido nos olhos do lobo. Cada vez que vinha até a porta da cidade buscar o seu alimento, era como se o povo visse Francisco  chegando, para oferecer amor e compreensão a todos os homens…

 

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Como um jovem que vivia envolvido em algazarras e encrencas se transformou em um dos maiores santos da humanidade? Como alguém que, em sua juventude, saía correndo ao ver um leproso – de repente – mudou tanto a ponto de abraçar qualquer pessoa como se abraça o amigo mais querido? Como ele aprendeu a conversar com os animais, com a lua, com o vento?
Conheça a história de Francisco de Assis – também chamado de Irmão Sol – especialmente a sua trajetória até se transformar em herói da verdade, um guia que inspira simplicidade e sabedoria.

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Via: http://www.culturadapaz.com.br/francisco-de-assis-e-o-irmao-lobo/