A obra Infância Vivenciada é um guia para pais e educadores e apresenta as distintas etapas do desenvolvimento infantil, as atividades e atribuições estabelecidas especificamente para cada faixa etária. O material didático desenvolvido pelas autoras Patrícia Gimael e Selma de Aguiar teve início como um projeto da Aliança pela Infância e, depois de 7 anos e 12 edições, transformou-se neste livro.

O conteúdo oferece um grande auxílio para o educador estimulando a observação dos diversos aspectos do desenvolvimento infantil que o auxiliarão a identificar as características mais comuns a cada idade e diferenciar as peculiaridades de cada criança. O livro ensina muitos exemplos de atividades para serem desenvolvidas de acordo com cada faixa etária. Oferece sugestões de atividades lúdicas, artísticas, trabalhos manuais, contos e histórias para serem desenvolvidas de acordo com cada faixa etária. Todas essas atividades costumam ser aplicadas nas escolas de Pedagogia Waldorf, baseadas na filosofia humanista de Rudolf Steiner. O projeto busca, justamente, trazer os elementos dessa pedagogia que é considerada como preventiva de doenças, pelo seu poder curativo, para as crianças de um universo mais abrangente, que estudam nos mais diversos tipos de escolas em qualquer tipo de linha pedagógica.

Valoriza a comemoração das festas cristãs, como a Páscoa, festa junina e Natal como oportunidades pedagógicas para desenvolver a memória, a noção de tempo e uma educação ética. Estimula a alimentação infantil e natural.

A infância só é plenamente vivenciada quando se reconhece o valor do brincar livre, não dirigido, sem intencionalidade, motivado pelo desejo de conhecer e experimentar, pois é através dele que se desenvolve o conhecimento físico/motor, a socialização e os desenvolvimentos cognitivo e psíquico.

A escola deveria estimular e manter este interesse, assim como também a curiosidade, que é genuína nas crianças, porque são estes os impulsos necessários para que o desejo de aprender permaneça vivo e possa pautar toda a vida escolar.

Como a criança aprende através da vivência, a obra explica que a escola deveria proporcionar espaços para descobertas e experimentação. Somente após experimentar na prática, é possível, para a criança, conceituar ou teorizar.

Uma boa educação infantil tem que contemplar o espaço do lúdico e da arte. Música, pintura, desenho livre, contos de fadas, trabalhos manuais adequados à faixa etária, muito contato com a natureza e, sem dúvida, brincar livremente, fazem parte de uma infância feliz e intensamente vivenciada.

É comum, explicam as autoras, as escolas perderem de vista o foco do seu trabalho: as crianças. Muitas vezes as escolas ficam presas nos processos da instituição, nas regras de funcionamento, nas tarefas e obrigações diárias ou nas preocupações com o vestibular ou com o futuro profissional dos seus alunos, e se esquecem de que se o interesse e a motivação por aprender, conhecer e descobrir não estiverem presentes, o futuro não será promissor.

A importância do equilíbrio entre o pensar, o querer e o sentir

Seguindo os critérios da pedagogia Waldorf, o livro explica que cada atividade ou cada aula oferecida à criança deveria conter três características: o pensar, o sentir e o querer.

O pensar como um desafio, com uma complexidade adequada à faixa etária. É importante lembrar que como a criança pequena aprende pela experiência, através do fazer, executar um trabalho manual pode ser um grande desafio ao seu desenvolvimento intelectual, assim como organizar uma brincadeira com regras que para o adulto pode ser simples.

O sentir como significado do que vai ser realizado. Todas as atividades devem ser realizadas com o tempo necessário para a experimentação da vivência completa do processo, isto é, começo, meio e fim. Ou seja, para que quando for finalizado, possa ser admirado, se for um desenho ou pintura; ou utilizado, se for um brinquedo ou objeto que possibilite uma brincadeira. O ambiente que é organizado com uma preocupação estética para que seja ao mesmo tempo bonito e adequado às atividades, desperta nas crianças a apreciação do belo, do harmônico.

O querer, como motivação e interesse para realizar o que foi proposto é importante para garantir um ritmo adequado às atividades que irão ser realizadas. O ideal é sempre alternar atividades de concentração (desenho, contação de história, etc.) com atividades de expansão (pular corda, brincadeiras infantis, etc.). Esta alternância ajuda a manter o querer atuante; a motivação e o interesse nas atividades.

As autoras apresentam que o objetivo principal do livro é uma infância feliz e vivenciada intensamente. Elas convidam os pais e educadores a uma conscientização acerca da importância de um desenvolvimento infantil saudável, incentivando e mostrando ações que contribuem para um desenvolvimento equilibrado, feliz e harmonioso.