Enquanto a mãe embala o bebê, ambos se acompanham – olho no olho – profundamente ligados entre si. Não há uma palavra em jogo, às vezes um balbuciar ou nem isso, mas a linguagem vai muito além do que se diz com a boca, não é mesmo?

Pode parecer que não, mas o bebê não é um ser passivo, que recebe e atende aos comandos de um adulto. Desde o nascimento, ele se expressa por meio de diferentes formas e, como que impresso no seu corpinho, há um código que diz como ele está ou o que precisa e deseja.

Para estabelecer uma comunicação genuína com a criança, atendendo a suas necessidades, é preciso, portanto, compreendê-la dentro do que ela apresenta. Trata-se de um exercício de observação constante e, também, de parceria para que se vá construindo, conjuntamente, essa via mais íntima de contato, tecendo uma relação de confiança e colaboração desde o princípio.

E os momentos de cuidado são propícios a isso. É durante a troca, o banho, a alimentação e o sono que o cuidador tem a possibilidade de se tornar uma referência segura ao bebê, estabelecendo o vínculo que lhe garantirá um desenvolvimento saudável, inclusive no que diz respeito à coordenação motora e ao despertar da fala.

As atividades compartilhadas com o bebê durante os cuidados cotidianos são percebidas por ele como ações que se repetem e, com o tempo, passam a ser previsíveis. Se o adulto nomeia o que está sendo feito e antecipa o que acontecerá em seguida, facilita o início da construção de imagens em sua mente – as primeiras representações mentais -, base do pensamento. As codificações e decodificações de sinais e gestos antecipadores se transformará, mais tarde, na linguagem verbal.

          (Suzana Soares, “vínculo, movimento e autonomia”)

É por meio do vínculo que o bebê irá se sentir seguro para desempenhar suas atividades e explorar o mundo ao redor. E cabe ao cuidador portar-se da maneira adequada para que a criança tenha um espaço apropriado para desenvolver-se com liberdade e alegria.

De que maneira ele pode fazer isso? Algumas dicas da educadora Suzana Soares:

  • Observar e perceber cada criança, em sua singularidade
  • Olhar em seus olhos
  • Fazer gestos delicados
  • Pedir sua colaboração, mesmo quando ela ainda é bem pequena
  • Reagir sempre às suas manifestações
  • Dar tempo necessário para que aproveite a experiência
  • Não interromper os cuidados
  • Narrar com suavidade o que está acontecendo e o que vai acontecer
  • Nomear o que ela pode estar sentindo
  • Apresentar os objetos que está usando e deixar que a criança os manipule

 

Conheça os livros sobre a Abordagem Pikler, pedagogia para crianças de 0 a 3 anos, em português e aprofunde mais o tema:

Abordagem Pikler

A abordagem Pikler para crianças de 0 a 3 anos foi desenvolvida pela médica húngara Emmi Pikler que somou a sua experiência de dez anos como médica de família ao trabalho realizado na instituição de acolhimento situada na Rua Lóczy em Budapeste e a observação e o registro minucioso do desenvolvimento de bebês para desenvolver um trabalho profissional de excelente qualidade. Esta abordagem está embasada no cuidado com a saúde física e no respeito com a individualidade de cada criança e tem como princípios fundamentais a relação privilegiada entre mãe/educadora e bebê e o desenvolvimento da autonomia através do brincar livre.
Divulgar a Abordagem Pikler que surgiu como uma prática pedagógica, logo após a II Guerra Mundial (1946), em uma instituição de acolhimento como uma resposta positiva à adversidade é provocar discussões e reflexões sobre as possíveis adaptações dessa abordagem à complexa realidade da educação infantil brasileira. É esse o objetivo desta publicação. Boa leitura!

As origens do brincar livre

É por meio do brincar que a criança experimenta o mundo e se desenvolve, por isso ele é tão vital quanto respirar. Neste livro, especialistas na Abordagem Pikler apresentam os principais conceitos para o desenvolvimento integral das crianças: estabelecimento de vínculo, respeito ao movimento livre e autonomia, com foco no brincar. Para isso, sugerem práticas que favoreçam as habilidades inatas dos bebês, como o preparo de um ambiente para a exploração, a seleção e organização dos brinquedos para cada fase e dão dicas sobre a postura do adulto, junto da criança, enquanto a brincadeira acontece.
Quem fez a tradução técnica e respondeu pela publicação do livro foi o Grupo Educar 0 a 3, situado em São Paulo e que tem por objetivo desenvolver consciência quanto ao significado e importância da infância junto a famílias e escolas, “As origens do brincar livre” é um dos poucos títulos em português que traz os conceitos e aplicações da Abordagem Pikler no cuidado de crianças na primeiríssima infância.

vínculo, movimento e autonomia

“A partir de suas vivências com Formação Continuada de Profissionais de Educação Infantil e de seu envolvimento com a Abordagem Pikler, a autora compartilha com o leitor reflexões sobre o papel do educador de crianças pequenas e os pontos essenciais para promover o desenvolvimento físico, mental e emocional nos primeiros anos de vida, principalmente em ambiente coletivo.
O livro apresenta uma síntese da abordagem que Emmi Pikler construiu durante o período em que atuou como médica de família e diretora de um abrigo de crianças até 3 anos, no final da Segunda Guerra Mundial, em Budapeste. Essa pedagogia baseia-se no reconhecimento do bebê como um indivíduo capaz desde o nascimento, na valorização do vínculo afetivo, na liberdade de movimentos e no desenvolvimento da autonomia.
Neste título estão também presentes: reflexões sobre a consciência corporal do educador, com base na Eutonia – pedagogia terapêutica com aplicação nas áreas da educação, saúde e artes, que auxilia a reintegração da imagem corporal; ideias do filósofo e educador Rudolf Steiner a respeito da importância do movimento, do equilíbrio, do tato e do sentido vital na primeiríssima infância; e experiências de atividades não dirigidas desenvolvidas pela autora em seu espaço de pesquisa, formação e oficinas: o Ateliê Arte, Educação e Movimento.”