Podia ser só um passeio na pracinha, mas pra quem está começando a vida a novidade é a rotina. E o olhar de Ana naquele dia despertou pra um pequeno botão, de flor de hibisco, rosa-claro, despontando de uma coroinha verde em meio ao arbusto. “Mamã”, chamou. Ainda que o vocabulário não desse conta, o sorriso, a expressão impressa no corpinho agitado, demonstravam a alegria da descoberta. E, já disse algum poeta, só há beleza quando compartilhada.

Pinte esse quadro aí internamente: a filha, que se conduz ao novo e o celebra, enquanto a mãe, observa o desabrochar da flor, e da menina, à sensibilidade das coisas pueris que tantas vezes passam despercebidas da vista apressada dos adultos. O extraordinário que mora no ordinário da vida cotidiana e que as crianças nos fazem recordar. Já pensou quanta riqueza há nisso?

A mãe de Ana resolveu estender o encantamento e decidiu mudar um pouquinho a rota da escola para, propositalmente, passar pela pracinha todos os dias a fim de que elas pudessem  acompanhar o crescimento da “flôzinha”. Assim que soltava a sua mãozinha, lá ia a menina, observar o que havia de diferente por ali.

Pode parecer bobagem, mas você já se deu conta de como a experiência do processo tem sido secundarizada na vida das crianças? Quantas delas acreditam, por exemplo, que o leite nasce da caixinha comprada no supermercado? Ao possibilitar o aprofundamento da vivência junto à flor,  a mãe de Ana não só criou um espaço de segurança para a menina expressar, sem receio, o que descobrira, mas – sobretudo – aprender o tempo da espera, o ritmo que rege a natureza (e ritmo é fundamental na primeiríssima infância), além de favorecer o olhar contemplativo que nos conecta à própria essência.

Criança e Natureza

Há inúmeros estudos que apontam como é positivo o contato com as plantinhas, flores, animaizinhos que povoam o verde vivo das praças, parques e florestas. Separamos alguns dos muitos benefícios, extraídos deste excelente artigo do projeto Criança e Natureza, para que tenha uma ideia:

Brincar na natureza estimula a criatividade: os brinquedos são criados e reinventados a partir de recursos encontrados durante a brincadeira: o galho que vira espada, a folha que vira um barquinho… Estudos com crianças escolarizadas mostram que nas áreas verdes da escola as crianças brincam de forma mais criativa e cooperativa.(Health Education Research,  2008)

 

As crianças que brincam ao ar livre com regularidade de forma não dirigida e estruturada são mais capazes de conviver com os outros, mais saudáveis e mais felizes. (Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, 2005)

 

Passar tempo na natureza contribui com a redução do estresse (Environment and Behavior, 2003) e no tratamento da depressão e do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). (Journal of Attention Disorders, 2008). Ambientes naturais oferecem maiores oportunidades de movimento irrestrito (Prev. Medicine, 2003), diminuindo assim a probabilidade de obesidade. Crianças que brincam mais tempo na natureza se tornam adultos com maior capacidade de resiliência emocional (NACC, 2008) e, consequentemente, mais dispostos a assumir riscos.

Artigo completo: https://criancaenatureza.org.br/por-que-existimos/os-beneficios-de-brincar-ao-ar-livre/ 

Ikebanas – A natureza dentro de casa

Você conhece ikebanas? Eles são arranjos florais lindos, e fáceis de preparar, que enfeitam o ambiente trazendo leveza, beleza e harmonia. Veja como surgiu o primeiro deles, há milhares de anos:

“Um dia, enquanto caminhava, Buda encontrou um ramo de rosas caído no chão e sentiu um profundo amor por essas flores. Pediu a seus discípulos que colocassem esse ramo em um vaso com água, para prolongar o tempo de duração dessas rosas, explicando a importância de respeitar e preservar toda forma de vida. A partir desse dia, seus seguidores começaram a colher as flores nos campos e a montar singelos arranjos em homenagem ao mestre!”

Que tal aproveitar a aventura pela pracinha para colher gravetos, folhas e flores e, depois, reunir a família e prepararem um arranjo especial? No livro O Caminho da Flor, além de contar um pouco mais sobre essa tradição do Oriente, há inúmeras dicas de ikebanas simples de fazer e que proporcionam um momento pra lá de especial junto das crianças e jovens!

Mais sobre o livro:

O Caminho da Flor

No Oriente, a arte dos arranjos florais, Ikebana, é um recurso muito usado para desenvolver as habilidades da criatividade, calma, paciência, perseverança, e aumentar a conexão com a Mãe Terra por meio dos seus elementos mais belos e singelos: as flores.

O livro traz um passo a passo para iniciar crianças e jovens nessa arte, com dicas práticas de como montar um arranjo com flores, colocando nele uma intenção especial de amor, alegria, cura ou outro qualquer, à escolha livre de quem faz.

 

 

 

Conheça também a Coleção Primeira Infância, com dicas para educar crianças pequenas tendo à frente a sensibilidade e a delicadeza

Abordagem Pikler – educação infantil

A abordagem Pikler para crianças de 0 a 3 anos foi desenvolvida pela médica húngara Emmi Pikler que somou a sua experiência de dez anos como médica de família ao trabalho realizado na instituição de acolhimento situada na Rua Lóczy em Budapeste e a observação e o registro minucioso do desenvolvimento de bebês para desenvolver um trabalho profissional de excelente qualidade. Esta abordagem está embasada no cuidado com a saúde física e no respeito com a individualidade de cada criança e tem como princípios fundamentais a relação privilegiada entre mãe/educadora e bebê e o desenvolvimento da autonomia através do brincar livre.
Divulgar a Abordagem Pikler que surgiu como uma prática pedagógica, logo após a II Guerra Mundial (1946), em uma instituição de acolhimento como uma resposta positiva à adversidade é provocar discussões e reflexões sobre as possíveis adaptações dessa abordagem à complexa realidade da educação infantil brasileira. É esse o objetivo desta publicação. Boa leitura!

 

As origens do brincar livre

É por meio do brincar que a criança experimenta o mundo e se desenvolve, por isso ele é tão vital quanto respirar. Neste livro, especialistas na Abordagem Pikler apresentam os principais conceitos para o desenvolvimento integral das crianças: estabelecimento de vínculo, respeito ao movimento livre e autonomia, com foco no brincar. Para isso, sugerem práticas que favoreçam as habilidades inatas dos bebês, como o preparo de um ambiente para a exploração, a seleção e organização dos brinquedos para cada fase e dão dicas sobre a postura do adulto, junto da criança, enquanto a brincadeira acontece.
Quem fez a tradução técnica e respondeu pela publicação do livro foi o Grupo Educar 0 a 3, situado em São Paulo e que tem por objetivo desenvolver consciência quanto ao significado e importância da infância junto a famílias e escolas, “As origens do brincar livre” é um dos poucos títulos em português que traz os conceitos e aplicações da Abordagem Pikler no cuidado de crianças na primeiríssima infância.

 

vínculo, movimento e autonomia

A partir de suas vivência com Formação Continuada de Profissionais de Educação Infantil e de seu envolvimento com a Abordagem Pikler, a autora compartilha com o leitor reflexões sobre o papel do educador de crianças pequenas e os pontos essenciais para promover o desenvolvimento físico, mental e emocional nos primeiros anos de vida, principalmente em ambiente coletivo.
O livro apresenta uma síntese da abordagem que Emmi Pikler construiu durante o período em que atuou como médica de família e diretora de um abrigo de crianças até 3 anos, no final da Segunda Guerra Mundial, em Budapeste. Essa pedagogia baseia-se no reconhecimento do bebê como um indivíduo capaz desde o nascimento, na valorização do vínculo afetivo, na liberdade de movimentos e no desenvolvimento da autonomia.
Neste título estão também presentes: reflexões sobre a consciência corporal do educador, com base na Eutonia – pedagogia terapêutica com aplicação nas áreas da educação, saúde e artes, que auxilia a reintegração da imagem corporal; ideias do filósofo e educador Rudolf Steiner a respeito da importância do movimento, do equilíbrio, do tato e do sentido vital na primeiríssima infância; e experiências de atividades não dirigidas desenvolvidas pela autora em seu espaço de pesquisa, formação e oficinas: o Ateliê Arte, Educação e Movimento.