Prefácio do livro “Gita – A Batalha dos Mundos”: https://bit.ly/2nSbcEE

Bhagavad Gita significa “Canção do Espírito” e o livro original é parte do sagrado texto hindu “O Mahabharata”. Embora não seja um livro religioso, para muitos é um guia essencial de como viver a vida, abordando conceitos filosóficos importantes, como deveres, karma, introspecção e batalha interior. Porém, muitas vezes, esse texto pode parecer denso e inacessível, especialmente para os mais jovens, e essas mensagens tão preciosas acabam ficando esquecidas.

Nossa intenção foi a de recuperá-las, trazê-las de volta à vida para nossos jovens, permitindo que eles se relacionem com esses ensinamentos atemporais de forma atual e significativa. Especialmente em um momento em que vivemos crescentes problemas de saúde mental na sociedade atual, a orientação deste antigo texto sagrado parece ainda mais valiosa.

Nossa versão para os jovens dessa obra é baseada na interpretação do mestre indiano Paramahansa Yogananda. A leitura tradicional do Gita narra uma batalha épica entre dois clãs em guerra. Os ensinamentos de Yogananda explicam que, na verdade, ela é uma metáfora para a batalha interna que cada um de nós enfrenta diariamente – aquela que acontece entre nossas boas e más tendências.

Nós não queremos “pregar” para os jovens. Por isso, tomamos a metáfora dessa batalha interna e a tornamos literal, real, atual, transpondo a batalha épica – que alguns leitores reconhecerão do Gita original – para dentro do corpo de um garoto: Dev.

Dev sabe tudo sobre turbulências internas. Com dificuldade de aceitar a morte de seu pai, suas más tendências começam a tomar conta de sua vida e uma árdua luta entre suas más e boas tendências é deflagrada. Mantivemos todos os personagens importantes do texto original aqui – Arjuna, Krishna e Duryodhana (que renomeamos Ego). Também ilustramos a linda passagem na qual Krishna oferece suas sábias palavras a Arjuna. Quem será que vai ganhar? Quem será que Dev vai ouvir?

Yogananda, em sua obra original dos comentários do Gita, no qual esse livro se baseia, nos sugere que a ferramenta para resolver o conflito é uma jornada iogue de meditação. Por isso, enviamos a Dev um guia para ajudá-lo: Sanjay.

Sanjay é uma criatura parecida com um duende, que se oferece para entrar no Reino Corporal de Dev a fim de encontrar o guerreiro Arjuna (líder das Boas Tendências) e encorajá-lo a lutar e derrotar o terrível Príncipe Ego (líder das Más Tendências). Representando a Introspecção Divina, no Gita original, é Sanjay quem observa a batalha e a reporta ao Rei Cego. Na primeira linha do Gita, o Rei Cego pergunta a Sanjay: “O que fizeram meus guerreiros no campo de batalha?” (Uma linha que usamos em nossa história também), significando o que aconteceu no campo de batalha entre os dois lados do exército ou “quem ganhou hoje essa batalha da alma?”. Nos permitimos uma pequena licença poética aqui na qual, em vez de ser um observador imparcial, o nosso Sanjay está torcendo por Dev e é proativo em sua missão de encontrar Arjuna. Mas em última análise, seu trabalho ainda é ver, olhar e trazer discernimento. Esta arte de introspecção é algo que pode fornecer compreensão para nossas próprias jornadas também.

Embaixo da coluna vertebral de Dev, no reino mais escuro e no centro de energia inferior (chakra), Sanjay sobe pela espinha dorsal, enquanto os diversos desafios emocionais e tendências destrutivas são enfrentados e superados. Isto se refere especificamente ao fluxo de energia e práticas de meditação como a da Kriya Yoga, ciência milenar de meditação que Paramahansa Yogananda trouxe para o Ocidente. Tentamos imaginar como cada centro de energia (chakra) é acessado. Por isso, há escotilhas que precisam ser abertas para que Sanjay progrida na sua ascensão pela espinha dorsal, assim como o buscador espiritual eleva sua consciência pela coluna até o olho espiritual.

Alguns de nós já incorporaram a meditação nas próprias vidas, dessa forma podem reconhecer os detalhes dessa jornada. Outros não, e talvez possam aprender sobre isso neste livro. Mas o que todos podemos perceber é o quanto a meditação e a introspecção podem ser ferramentas valiosas.

Em um primeiro nível, portanto, nossa história é simplesmente uma aventura mágica e pode ser lida apenas desta maneira. Mas, em outro, é uma exploração de conceitos filosóficos importantes, bem como uma introdução a algumas das ferramentas da vida que podem nos ajudar a lidar com os desafios que todos enfrentamos, jovens e adultos.

Quer os leitores sejam admiradores de Yogananda, hindus ou sem nenhuma religião, esperamos que as mensagens sagradas do Gita, de algum modo, ressoem sobre a superfície da história, e que os espíritos de todos os nossos jovens sejam fortalecidos em suas batalhas com essa canção.

Sonal Sachdev Patel e Jemma Wayne-Kattan, autoras do “Gita: A Batalha dos Mundos”.

Link para o livro: https://bit.ly/2nSbcEE

Carolina Conti

Carolina Conti é jornalista com especialização em Ciências da Religião pela PUC e autora do blog Altar Particular (https://blogaltarparticular.wordpress.com/). Atua como editora e coordenadora da área de Comunicação na Omnisciência.

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